terça-feira, 22 de maio de 2012
Imperfeição
Gosto das coisas com um toque de imperfeição.
A gota do vinho tinto na toalha branca...
O gosto amargo do café na garganta.
A barba por fazer.
O sorriso sem graça (encantador) pela piada mal contada.
Os olhos cansados, pquenos de sono
pela noite não dormida, mas conversada.
O assunto que nunca termina e emenda um no outro
virando uma história sem fim.
O tom da roupa...
A voz rouca...
A sensualidade dos lábios no olhar de menino perdido.
O cheiro da roupa limpa e mente suja.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Parceria
Já é de manhã, mas ninguém vai embora.
Te resgato do bar, discretamente para que ninguém perceba
e caminhamos, ziguezagueando pela calçada. Alheios à chuva
que só percebo quando entramos no teu carro e vejo teu cabelo molhado.
Fica tão engraçado assim!!!
Esqueço a chave para o lado de fora da porta de casa, mas só noto isso na manhã seguinte, quando você vai embora para, quem sabe, voltar.
Desculpe, mas o alcool rouba minha memória e nunca lembro de dizer o quanto gosto de ti, da tua conversa, da tua companhia... Melhor assim. Não tem motivo. Não quero conquistas.
Você me pergunta quando deixarei de acampar na minha própria casa e sempre reclama de não ver uma imagem sua entre as tantas na parede. Respondo que isso não interessa, não é da sua conta.
O que me interessa são teus olhos apertadinhos de sono, do alcool a essa hora da manhã... olhos pequenos que me aquecem.
Tenho a mania de te espiar pelo olho mágico, quando me deixa, batendo a porta. Só para te saber quando não somos.
Adoro o cheiro do teu perfume e o silêncio que ficam quando se vai.
... e te esqueço com a menor brisa ou com a água do chuveiro ou barulho do secador.
O gosto do meu primeiro café do dia é cortado com a lembrança de uma conversa tosca nossa. Longe dos afagos você me responde mal e eu sou fria. Sempre tem uma crítica
para o que escrevo e diz que me exponho demais. Respondo que a vida é minha e dou as costas.
É bom e sempre repetimos, mas, aceitemos: algumas parcerias se esgotam na noite.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Segredo
O meu amor é nú
Todo despido
Puro e limpo
Como nossos corpos
em algumas tardes...
Faço segredo
Pois meu medo
É que me censures
Que me procures
Para dizer,
entre rodeios:
Adeus!
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Sem Palavras
E nem sequer nos falamos...
Olhamo-nos e, como se o mundo fosse
uma página virada da nossa história,
nos compreendemos
E, como se fosse lógico,
vencemos o impossível
E nos encontramos num gesto só...
onde choramos no abandono de nós mesmos
as incongruências desse questionar sem fim!
Olhamo-nos e, como se o mundo fosse
uma página virada da nossa história,
nos compreendemos
E, como se fosse lógico,
vencemos o impossível
E nos encontramos num gesto só...
onde choramos no abandono de nós mesmos
as incongruências desse questionar sem fim!
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Me vem na cabeça lampejos de sentir o não sentir...
Como se pudesse parar no momento em que me atravessam
pensamentos obcenos de você
Como se fosse possível prever o próximo instante que a fatalidade
rompe com a lógica...
... Como se fosse provável tudo o que me vem de você
nos dias que a inércia me habita e fico contando palitos queimados,
fazendo cruzadas,
resolvendo diagramas,
me dando alternativas que nunca sigo ou aceito.
Como se pudesse parar no momento em que me atravessam
pensamentos obcenos de você
Como se fosse possível prever o próximo instante que a fatalidade
rompe com a lógica...
... Como se fosse provável tudo o que me vem de você
nos dias que a inércia me habita e fico contando palitos queimados,
fazendo cruzadas,
resolvendo diagramas,
me dando alternativas que nunca sigo ou aceito.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Chovia na tarde...
dia cinzento,
vento indiscreto
dando a notícia do fim do verão.
Na moldura da janela, a paisagem.
Na paz do momento a cadência da água
caída pela calha.
No beiral da parede gotas cintilantes
uma após uma, caindo...
Nosso silêncio era tudo o que tínhamos.
Languidamente permanecemos naquela cama,
olhando a tarde.
Na magia do momento existia música.
Nada sei da cama,
da goteira,
da música,
da tarde chuvosa...
Sei apenas que os braços eram teus.
dia cinzento,
vento indiscreto
dando a notícia do fim do verão.
Na moldura da janela, a paisagem.
Na paz do momento a cadência da água
caída pela calha.
No beiral da parede gotas cintilantes
uma após uma, caindo...
Nosso silêncio era tudo o que tínhamos.
Languidamente permanecemos naquela cama,
olhando a tarde.
Na magia do momento existia música.
Nada sei da cama,
da goteira,
da música,
da tarde chuvosa...
Sei apenas que os braços eram teus.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Monólogo
Aqui da platéia
comendo pipocas
assisto meu ato
e sou diretor
mudo o cenário
manejo as luzes
controlo o som
sou contra-regra
estou lá na frisa
seguindo o roteiro
fazendo no palco
a cena final.
Num grande fiasco
esqueço o texto
da peça perfeita
que eu inventei,
na hora do "bravo"
em vez do aplauso,
acabando a pipoca
estouro o papel!
comendo pipocas
assisto meu ato
e sou diretor
mudo o cenário
manejo as luzes
controlo o som
sou contra-regra
estou lá na frisa
seguindo o roteiro
fazendo no palco
a cena final.
Num grande fiasco
esqueço o texto
da peça perfeita
que eu inventei,
na hora do "bravo"
em vez do aplauso,
acabando a pipoca
estouro o papel!
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